Vincent - Um solo de amor

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A violência, essa filha da ignorância



Tenho um amigo próximo, meio irmão, que acaba de voltar de Cuba. Geraldo trouxe assunto para mais de metro daquelas bandas. Convicções políticas à parte, uma das questões que mais o impressionaram é a força da cultura e da educação em toda a boa gente de lá. “Violência zero. É o que ouvi por todos os lugares. Ouvi de um moço, guia pelas ruas de Havana Velha: ‘Sou pobre. Minha única propriedade é a minha vida. E dela cuido até o último suspiro’. Conheci muitos pobres e nunca vi tanta dignidade entre os que tem apenas o suficiente para viver”, disse-me o companheiro.

Minha conversa com o Geraldo foi no domingo. No mesmo dia em que fui visitar o Murilo – outro amigo muito querido, assaltado na semana passada. Murilo desceu do ônibus no Bairro Floresta, Região Leste de Belo Horizonte, e tomou dois tiros de um sujeito covarde que estava na garupa de uma moto. O assalto e o relato de Cuba ficaram me martelando a cabeça. Quem conhece o Murilo, homem de bem, paz e bom coração, tem razões de sobra para indignar-se com a violência sofrida por ele. É assustadora a violência crescente em nossa cidade.

Murilo é daqueles sujeitos incapazes de fazer mal a quem quer que seja. Para citar apenas uma passagem, recentemente, um outro amigo abriu uma escola de arte. Murilo, que havia se graduado em administração, quis ajudar duas pessoas de uma só vez. Eu estava presente e testemunhei quando ele chegou para o dono da escola e disse: “Estou depositando o valor de uma bolsa integral desse curso que a sua escola está oferecendo. Dê a vaga para alguém que queira muito fazer e que não tem condição de pagar”.

Isso tem mais de ano e foi muito marcante. O Murilo, garoto, com vinte e poucos anos, disse que estava apenas retribuindo algum bem que foi dedicado a ele na vida. Impossível esquecer. Aí, um moço desse, com o coração desse tamanho, está caminhando na rua e toma dois tiros à queima-roupa? Não está certo. O que isso tem a ver com Cuba? Tudo. O problema da violência nada tem a ver com pobreza. Tem a ver com a ignorância, com a falta de educação e com a impunidade.

Bandeira Dois - Josiel Botelho

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